quarta-feira, 30 de maio de 2018

Por Que Ser a Favor da Paralisação dos Caminhoneiros e Porque Ser Contra a Paralisação dos Caminhoneiros?


Por que Ser a Favor da Paralisação dos Caminhoneiros?

1.Todo caos que possa pairar sobre o estamento burocrático e as estruturas econômicas de um estado inchado e intervencionista é bem vindo e isso aparenta mostrar que a síndrome de boiada ainda não atingiu níveis irreversíveis na população!
2. A pauta original e mais importante dos caminhoneiros era a redução dos impostos sobre os combustíveis, especialmente o diesel, e todo corte de imposto é bem vindo, todo dinheiro tirado da mão improdutiva do governo e deixado nas mãos dos indivíduos é de grande valia. O próprio governo tem monopólio desse setor com a desculpa de que é um “setor estratégico” da economia, porém não se lembra disso ao tributar em 50% esse mesmo setor.
3. Chamar a atenção de todos a respeito da combinação dos fatos acima: Da importância do setor de transporte/combustíveis e da carga absurda de imposto sobre esse mesmo setor e deixar claro que isso encarece todas as cadeias produtivas envolvidas e isso reflete no preço para o consumidor final.

Por que ser Contra a Paralisação dos Caminhoneiros?

1. Com o decorrer dos dias o movimento foi perdendo o propósito, surge de cá uns gritando “intervenção militar”, outros de lá clamando “Lula livre”, indícios de infiltração política e oportunista.
2. Caminhoneiros que não gostariam de aderir à greve, muitos deles pais de família, são OBRIGADOS a parar, sob ameaça de violência, e ficam retidos junto com as mercadorias transportadas em uma espécie de cárcere privado nas mãos de outros caminhoneiros.
3. Pautas duvidosas são apresentadas ao governo por supostos “representantes” dos caminhoneiros, como a aberração de uma “tabela de frete mínimo” ou redução do preço do diesel direto na refinaria, entre outros igualmente perigosos.

O que eu acho de tudo isso? Bom, já dá pra deduzir através dos itens que separei acima: O simples fato de haver uma movimentação dos indivíduos a fim de afrouxar as amarras que o estado lhes impõe é de se comemorar em quaisquer ocasiões, porém quando você percebe que na verdade se trata de um movimento que pede privilégios a seu grupo, ou seja, ainda MAIS estado em nossas vidas, é de uma decepção gigante.
Um “simples” corte generoso de tributos sobre o preço dos combustíveis acompanhado de um generoso facão nos gastos públicos seria o mais aceitável nesse cenário. Porém, isso não é útil e popular para o governo, afinal fica mais difícil fazer politicagem assim.
Como já expliquei > aqui <os principais motivos de todo esse caos, vemos que no centro de tudo, o que se pede é ainda mais desse mal que causou essa crise, mais estado, menos mercado, mais privilégios, menos mercado, mais regulação, menos mercado. Não existe almoço grátis, alguém sempre paga, o pobre sempre paga e, dessa vez, não parece ser diferente.

Sugiro leitura do recente artigo do Instituto Mises Brasil a respeito de quem paga a conta desse tipo de "greve":
É inevitável: sempre que uma categoria profissional faz greve, quem banca as exigências é você

segunda-feira, 28 de maio de 2018


O que de fato causou essa crise atual no setor de transporte e porque as soluções propostas por ambos os lados são gritantemente equivocadas?


Breve resumo histórico do caos por tópicos, cada item representa um agente influenciador na crise:


1. Petrobrás

1.1 Petrobrás “descobre” grandes poços de petróleo na camada pré-sal na costa Brasileira. Porém, não contaram sobre os altíssimos custos de extração desse petróleo e nem o tipo de petróleo que é (petróleo pesado).
1.2 A Petrobrás possuiu por 40 anos o monopólio legal da exploração de petróleo no Brasil, ainda hoje é responsável por 98% do petróleo refinado o que, na prática, mantém o mesmo monopólio.

E porque não há a entrada pesada de outras empresas nesse ramo por aqui? 

O investimento nessa área é um investimento de considerável risco e em que o possível retorno financeiro é demorado devido aos altos custos de entrada. Mas no Brasil isso piora, e muito: 
1.2.1 Burocracia e excesso de regulamentação de uma agência reguladora, a ANP (como qualquer agencia reguladora é, na verdade, uma agência promovedora de cartel).

1.2.2 Excesso de regulamentações ambientais, trabalhistas e de segurança. Tudo convenientemente pensado de modo a coibir a concorrência.

1.2.3 Ainda que algum louco resolva investir no Brasil em uma empresa nesse setor, ele corre o risco considerável de a Petrobrás, através de canetada estatal, voltar a praticar preços abaixo do preço de mercado, não permitindo que seus preços sejam competitivos, já que ele não tem de quem roubar dinheiro, nem imprimir, pra cobrir seus prejuízos. Resultado: Falência!
1.3 A antiga política de preços, especialmente os praticados durante o governo Dilma, gerou, nada mais nada menos que R$ 60.000.000.000,00 (Sessenta Bilhões de Reais) de prejuízo ao caixa da estatal. Tudo isso para tentar maquiar o cenário macroeconômico e praticar populismo, aliás, junto com aparelhamento político, parecem ser os únicos motivos REAIS para a existência deste tipo de empresa. No mínimo, o único propósito que funciona – atente-se, a única coisa que o governo consegue fazer na economia é maquiagem, com tempo de validade até tudo explodir e voltar muito pior que antes.

2. Impostos  

2.1 Imposto é roubo ou não? 

Definição de roubo no dicionário: “Consiste na subtração de coisa alheia móvel, em proveito próprio ou de terceiro, com emprego de violência ou grave ameaça a pessoa. Do mesmo modo, pratica o crime de roubo aquele que aplica a violência ou grave ameaça logo após a subtração da coisa, a fim de assegurar a impunidade do delito”

O governo cobra imposto. Se o indivíduo não paga imposto, o governo aplica multa. Não pagando a multa, o governo decreta a prisão do indivíduo. Se o individuo resiste a prisão, ele é agredido e, em último caso, morto pelo governo. 

Por definição, imposto é roubo. Se é necessário ou não, é outra discussão, mas deixando bem claro, não deixa de ser roubo.



Não é segredo pra ninguém que a carga tributária no Brasil mais os custos para cumprir tal legislação são algo surreal. Sem contar que, na prática, só os pobres e a classe média pagam impostos. Os amiguinhos do estado recebem tantas regalias que, na prática, pagam zero imposto.

Vale lembrar que o estado não cobra tributos apenas da maneira convencional (ICMS, IPTU, PIS/COFINS ETC), mas também ao imprimir dinheiro, seja diretamente em papel moeda ou em crédito governamental, e pior ainda, nesse caso o repasse do mais pobre ao mais rico é quase que direto através da inflação.



2.2 Dada essa introdução ao imposto – rs -, afinal, qual o tamanho da carga tributária direta nos combustíveis?
O tão usado argumento intervencionista de “controle de setores estratégicos” entra em paradoxo quando analisamos a carga tributária que o próprio governo impõe sobre os preços dos combustíveis: O peso pode chegar a 41% no Diesel e 53% na gasolina dependendo do estado. Sim! Pelo menos metade do que você paga o governo toma pra ele. Logo numa “área estratégica” afinal, o que move os caminhões, trens, ônibus, vans, camionetes, carros que transportam pessoas que realmente produzem algo no trabalho; alimentos, matérias primas, produtos acabados, commodities e etc...? Sim! Diesel e gasolina! Porém, o próprio estado, sem “estratégia” alguma - nossa, que surpresa! - aumenta o valor dos custos de transporte em, no mínimo, 50%, fora quaisquer outros tributos que incidem sobre as cadeias produtivas envolvidas. E não é nem minimamente necessário frisar a importância do setor de transportes diante da atual crise de abastecimento não é?

3. A Questão dos Caminhoneiros, Transportadoras e Créditos Inventados Pelo Governo.

Em meados de 2009, logo após a crise do subprime, aficionado por maquiar os impactos da crise no Brasil, o governo tentou aquilo que nunca deu certo no mundo desde 1929: Intervir criando créditos falsos em determinados setores da economia (ironicamente o que causou a própria crise do subprime nos EUA rs). E o que acontece em seguida depois desse tipo de intervenção? Bolha econômica no setor “incentivado”. 

No caso que nos interessa, o governo atuou em 2009 criando crédito fácil para a compra de caminhões. Muitas vezes a pessoa conseguia financiar 100% de um caminhão. Resultado? Bolha de caminhões! Quando o governo inunda um setor de crédito fácil cria-se uma falsa ilusão de aquecimento real daquele setor. Novos agentes entram naquele mercado a procura de oportunidades. Resumindo: Muitos novos caminhoneiros autônomos entraram no setor, muitos dos que já estavam trocaram seus caminhões por mais novos, grandes transportadoras renovaram e aumentaram suas frotas.

Enquanto o ciclo doido Keynesiano ainda estava na via positiva, com vários setores produtivos inundados de crédito falso, produzindo coisas que ninguém estava de fato demandando naquela quantidade, estava tudo OK. Porém, quando o governo foi forçado a parar com essa farra, começou a faltar trabalho para esse monte de caminhoneiro que, além de estar sem trabalho, estava endividado. Ou seja, o mercado (setor produtivo, cadeias de produção) não demandava aquela quantidade de agentes trabalhando naquele setor. Aí, meu amigo, age a irrevogável oferta x demanda. Havia muitos caminhoneiros/transportadoras, para relativo pouco serviço. O mercado se ajusta barateando naturalmente os valores dos fretes. Caso você ache que essa crise de hoje é novidade, se engana, essa crise no setor de transportes existe pelo menos desde 2015.

4. Afinal, o petróleo é nosso?

Até é, mas o combustível não. Como dito logo no começo, a maior parte do petróleo no território Brasileiro é o chamado Petróleo pesado, que é mais custoso de se refinar e sequer as refinarias brasileiras são preparadas pra processar esse tipo de matéria bruta de maneira eficiente. O que a Petrobrás faz? Exporta esse material bruto para outros Países e importa os produtos já refinados.
Além disso, esse petróleo pesado já tem um custo de extração maior e ainda está localizado no pré-sal. Esses fatos nos mantém reféns da variação do dólar e do preço do barril no mercado internacional.

5. Algumas das pautas sem sentido dos grevistas e soluções sacanas do governo Temer:

5.1 Corte no preço do Diesel na refinaria:


Parabéns governo, você quer solucionar o problema dando mais daquilo que o causou: controle de preços. O que deve ser cortado são os impostos que incidem sobre os combustíveis e não o preço deles nas refinarias. Não estou pedindo privatização não, apenas que a Petrobrás pare de arcar com politicas burras porque disso ela já sofre há mais de 60 anos. “Ah, mas se cortar impostos dos combustíveis vai ter que subir em outro lugar” Não vai não, é só meter o facão nos gastos públicos. O tamanho do estado não é o quanto ele arrecada, mas o quanto ele gasta! Abra você mesmo a LOA (Lei Orçamentária Anual) do seu estado para encontrar "N" gastos bizarros. Já no âmbito federal é ainda mais fácil, só os “super salários”, inconstitucionais (sério), já consomem dezenas de Bilhões por ano!

5.2 Caminhoneiros exigem MP para Regulação dos preços do frete no País.
Parece brincadeira, mas não é. Existe uma máxima austríaca que, abrasileirando fica assim: “Se você zoa com os preços, os preços zoam com você”. Como já dito, o governo zoou com os preços/custos para a entrada de novos agentes nos transportes em 2009 (créditos) e os preços zoaram com esse setor nos últimos anos e, ao invés de esperarem o mercado continuar ajustando o setor (tirando os agentes sobressaltastes) eles querem que o governo dê mais uma zoadinha nos preços para o frete ficar mais caro do que deve (vai ver o governo vai esquecer que transporte é um setor estratégico e que qualquer zoada ali, respinga e quase toda a economia).
Isso pra citar apenas 2 pontos.

6. Conclusão.

Esses são os principais motivos para toda essa crise, se você ler atentamente cada ponto vai perceber que governos criam as grandes crises, e mais uma vez ele vai ser o “solucionador de curto prazo” que, a longo prazo, apenas agrava a vida do cidadão. 


Não adianta culpar a Dona Lourdes porque ela bateu panela e nem apenas o PT ou o Temer, pois o buraco é MUITO mais embaixo. Enquanto vocês ficam aí brincando de briguinha de time, potenciais estadistas como Ciro Gomes, Bolsonaro, Marina Silva, Alckmin e cia estão aí para que o governo mantenha toda sua estrutura onde, em conchavo com os grandes empresários de sua corte, continuem ferrando com sua vida.